o por
co cor
co cor
tado a
o meio
no meio
da manhã
é um buda
obeso de maçã
na boca,
rabo enrolado,
rosado e rotundo,
risonho e rocambole,
: nos olhos
apenas duas pequenas
estrelas
tostadas
são cabritos e vitelas
são chouriços e morcelas, só
uma quadrada vaca
num quadrado verde
[está morta também
a vaca angélica]
fúnebres quatro
pretas
patas flácidas
latejando:
mo-co-tó
mo-co-tó
no branco do avental
salpicado de lilás
jaz
o quê? o quê?
facão em punho
/célere
aço para
estardalhaço
da carne
assovia
o açougueiro
el carnicero
like a hollywood butcher
enquanto
gangues de galos
degolados
anunciam
(não o dia)
(não o sol)
mas a sina dos bichos
fra
tu
ra
dos
que engrossam
OS OSSOS
do [santo]
ofício.
Poema de Marcelo Reis de Mello, escrito a partir de um exercício da Oficina. A proposta era descrever o dia-a-dia de um açougueiro. Ao final do ano pretendemos editar os melhores poemas produzidos por nós e publicá-los pela Editora Cozinha Experimental.
A ilustração é um óleo de Pieter Aertsen, chamado A Meat Stall with the Holy Family Giving Alms.

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