domingo, 21 de agosto de 2011

marcha-rancho para açougue e violino

















 
o por
co cor
tado a
o meio

no meio
da manhã

é um buda
obeso de maçã

na boca,

rabo enrolado,

rosado e rotundo,
risonho e rocambole,

: nos olhos
apenas duas pequenas
estrelas
tostadas

são cabritos e vitelas
são chouriços e morcelas, só

uma quadrada vaca
num quadrado verde

[está morta também
a vaca angélica]

fúnebres quatro
                pretas
patas flácidas
latejando:

mo-co-tó
mo-co-tó

no branco do avental
salpicado de lilás

jaz

o quê? o quê?

facão em punho

/célere
aço para
estardalhaço
da carne

assovia
o açougueiro
el carnicero
like a hollywood butcher

enquanto
gangues de galos
degolados
anunciam

(não o dia)
(não o sol)

mas a sina dos bichos
fra
tu
ra
dos
que engrossam
OS OSSOS
do [santo]
ofício.


Poema de Marcelo Reis de Mello, escrito a partir de um exercício da Oficina. A proposta era descrever o dia-a-dia de um açougueiro. Ao final do ano pretendemos editar os melhores poemas produzidos por nós e publicá-los pela Editora Cozinha Experimental.

A ilustração é um óleo de Pieter Aertsen, chamado A Meat Stall with the Holy Family Giving Alms.

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