terça-feira, 5 de maio de 2015

"era uma vez uma mulher que não perdia
a chance de enfiar o dedo no ânus

no próprio ou no dos outros

o polegar, o indicador, o médio
o anular ou o mindinho

sentia-se bem com o mindinho

nos outros, era sempre o médio
por ela, enfiava logo o polegar

não, nenhuma consequência"
(Angélica Freitas)

Angélica Freitas abre o seu livro com um trecho da Ópera dos Três Vinténs. Bertolt Brecht é talvez o mais famoso e mais bem sucedido dramaturgo marxista, e inventor do estupendo Teatro Épico. E para quê? Pergunta Angélica Freitas. Não arriscaremos a resposta, mas não é risco dizer que Um útero é do tamanho de um punho é um livro de luta. Um navio está ancorado no cais, com todas as suas velas e canhões; esse navio é uma mulher que não perde a chance de enfiar o dedo no ânus. E para quê?

É sobre isso que vamos conversar nesta quarta-feira, na Oficina Experimental de Poesia. O encontro será mediado pela Karen Campos e pelo Marcos Nascimento. As conversas sobre Um útero talvez não possam contornar os temas de gênero, de política, da herança dadaísta, e do humor (do mais refinado ao mais banal).

É o que a Angélica parece ter em mente nesta entrevista:



(Aqui você encontra essa entrevista na íntegra.)

Será às 19h, no terraço do Imperator (Rua Dias da Cruz, 170), no Meier. Aqui tem mais informações.

Rafael Zacca

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